Estudo aponta que o uso de bebidas alcoólicas, dormir tarde e o tabagismo, comportamentos mais comuns nos dias livres, são os principais gatilhos

Um casal dorme tranquilo: manter a higiene do sono nos finais de semana é essencial para prevenir distúrbios como a apneia obstrutiva, um importante fator de risco para doenças cardiovasculares — Freepik/ Reprodução
Ficar acordado até tarde, uso de bebidas alcoólicas e hábito de fumar, práticas comuns nos finais de semana, são os principais gatilhos de uma nova condição de saúde: a apneia do sono “social”, conforme aponta um estudo divulgado este mês e realizado com 70 mil pessoas, em vários países, durante três anos. Ela é chamada assim, pelos autores, por estar associada a mudanças no estilo de vida saudável nos dias livres e nas férias. Na apneia do sono, a respiração é superficial ou interrompida várias vezes por alguns segundos enquanto a pessoa dorme, um importante fator de risco para graves doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e problemas cognitivos, como dificuldade de concentração.
Estima-se que até 80% dos indivíduos que sofrem de apneia do sono não têm diagnóstico, e os cientistas da Universidade Flinders, na Austrália, responsáveis pela pesquisa, constataram que o distúrbio, em muitos casos, é desencadeado ou se agrava com maior frequência nos períodos de descanso, como nos finais de semana, quando, em geral, as pessoas descuidam dos hábitos saudáveis.
“Ficamos surpresos ao ver um pico acentuado de apneia do sono aos sábados, que depois se estabilizou durante a semana, principalmente em homens com menos de 60 anos”, disse a dra. Lucia Pinilla, principal autora do estudo, publicado na revista científica American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, em matéria no jornal espanhol El País. E ela ressaltou: “A apneia do sono já é um grande problema de saúde pública, mas nossas descobertas sugerem que seu verdadeiro impacto pode estar subestimado”.
Investigações anteriores encontraram evidências semelhantes. Uma análise de 23 estudos sobre o mesmo tema comprovou que consumir álcool eleva a probabilidade de sofrer de apneia do sono em 25%. Outros trabalhos sugerem uma correlação entre tabagismo e esse sério distúrbio do sono. O excesso de peso é outro fator significativo para a apneia do sono, sendo o tipo mais comum a obstrutiva, decorrente do colapso ou bloqueio das vias aéreas ao dormir.
O sono restaurador é essencial para o organismo se recuperar, fortalecer o sistema imunológico e consolidar a memória, entre outras funções. Daí a importância de prevenir e detectar precocemente qualquer dificuldade em adormecer e o sono fragmentado. Enquanto a pessoa dorme, também acontece a limpeza de toxinas do cérebro.
“A fragmentação do sono em função da apneia pode causar hipertensão arterial, infarto, acidente vascular cerebral, redução da sensibilidade à insulina, prejuízo da capacidade cognitiva, entre outros sérios problemas de saúde”, alerta o dr. Gilberto Ururahy, diretor médico da Med-Rio Check-up e cofundador da clínica com o dr. Galileu Assis.
Vale lembrar que pessoas com apneia costumam roncar alto. No entanto, nem todos que roncam têm esse distúrbio do sono.
O diagnóstico da apneia do sono é baseado no histórico médico e familiar, na consulta clínica e em exames específicos, como a polissonografia, em laboratório ou em casa. O tratamento é individualizado.
A realização do check-up médico anual também é uma medida crucial para prevenir e identificar possíveis efeitos nocivos das noites mal dormidas.
O que fazer para dormir melhor:
— Deite-se e levante-se à mesma hora todos os dias, inclusive nos finais de semana;
— Não faça atividade física duas horas antes de ir para a cama;
— Evite alimentos gordurosos e bebidas alcoólicas, principalmente tarde da noite, além de estimulantes com cafeína, e pare de fumar;
— Se usa medicamentos, converse com seu médico para saber se eles interferem no seu sono;
— Não cochile depois das 15h. Tirar uma soneca pode melhorar sua capacidade cognitiva, mas, se for no final da tarde, irá atrasar seu sono à noite;
— Procure relaxar antes de dormir, tente ler um livro ou ouvir uma música tranquila. Tomar um banho morno antes de ir para a cama acalma;
— Crie um ambiente adequado para dormir, com temperatura agradável, sem luminosidade e distrações, como TV no quarto, celular ou qualquer outro dispositivo eletrônico;
— Tente se expor à luz do sol pelo menos 30 minutos diariamente, nos horários indicados pelos dermatologistas;
— Se o sono não chegar logo ao se deitar, não fique acordado por mais de 20 minutos. Levante-se e faça alguma atividade por alguns minutos;
— Ajuste sua agenda cheia: as atividades noturnas, sejam elas profissionais ou sociais, são uma das razões pelas quais as pessoas não dormem o suficiente;
— Converse com seu médico: alguns problemas de saúde podem impedir que o sono profundo seja alcançado, que acontece na fase 3 do sono (são quatro). Isso inclui: artrite, dor nas costas, alterações cardíacas e condições que dificultam a respiração. Depressão, ansiedade e uso de estimulantes também dificultam o descanso.
Veja outras orientações para dormir bem na cartilha Sono e Saúde da Med-Rio, disponível em: https://medriocheck-up.com.br/wp-content/uploads/2023/05/foldersono1.pdf.
Você se sente sonolento ou cansado durante o dia? Caso afirmativo, provavelmente está dormindo mal e está vulnerável a doenças crônicas e a causar acidentes.
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Em mais de três décadas dedicadas à promoção da saúde, a Med-Rio já realizou mais de 250 mil check-ups em homens e mulheres, de 55 nacionalidades. Mais de mil médicos e outros profissionais de saúde são clientes da clínica, pioneira em prevenção no país. A Med-Rio é referência mundial em medicina preventiva, destino de turismo de saúde e legitimada por certificações de empresas independentes, como a DNV e a EcoVadis.
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E no site da Med-Rio é possível acessar cartilhas com recomendações para a adoção de hábitos saudáveis e ter mais qualidade de vida, disponíveis em: https://medriocheck-up.com.br/campanha-anual/.
Fontes: jornal espanhol El País, EurekAlert e Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue (EUA).
