VejaRio: 5 dicas para sobreviver às reuniões virtuais

As excessivas horas em reuniões por computador levam ao cansaço extremo e trazem prejuízo à saúde

Reuniões on-line: riscos para a saúde e a qualidade de vida. Envato/Reprodução

 

Com a imposição dos último meses de trabalhar de casa, muitas pessoas viram-se por horas a fio diante das telas do computador e do celular. De repente, é como se a vida tivesse se tornado uma longa e interminável reunião via Zoom, Skype, Hangout, Google Meeting e WhatsApp. Desta maratona virtual diante de muitas telas, câmeras, e profusão de janelinhas, quantos compromissos de trabalho foram produtivos e, efetivamente, úteis?

Abaixo, listamos 5 dicas que podem ajudar a otimizar o tempo e a sobreviver à enxurrada de reuniões virtuais que ainda ocupam as horas de muitos colaboradores de empresas.

1 – Quando alguém se mexe em uma daquelas pequenas janelas na tela do computador, os olhos naturalmente vão naquela direção. Essa movimentação incessante tem alto potencial de distrair a mente. Quando entramos em um ambiente, os neurônios chamados amígdalas fazem uma varredura do local, verificando as ameaças e selecionando nossas reações. O mesmo acontece em reuniões virtuais. É como se o nosso cérebro estivesse participando de nove reuniões presenciais ao mesmo tempo e precisasse dar conta de toda aquela informação em segundos. Quando você olha em outra direção e depois retorna para a tela, a mente entende que você deixou o ambiente e retornou, reiniciando o processo cerebral novamente. Ao final do dia, essa interminável lógica subconsciente leva à exaustão.

DICA: Ao invés de acompanhar diversas janelinhas simultaneamente, uma boa dica é usar o recurso do “speaker view”, ou seja, selecione para visualizar apenas a pessoa que está falando, a que deve ter a atenção naquele momento. Em uma reunião presencial, não colocamos o mesmo peso de atenção em todos os presentes. Esta lógica deve ser mantida nas reuniões virtuais e usar o recurso “speaker view” é o mais próximo que se pode chegar da vida real, reduzindo as distrações e a fadiga mental.

2 – É um comportamento natural: quando o recurso da câmera está aberto e aparecemos no vídeo, olhamos para nós mesmos para conferir a aparência e ajeitar a postura. A tendência é focar em como estamos aparecendo no vídeo, com alto grau de distração da real razão de se estar ali: a reunião e as decisões importantes de trabalho que estão sendo tomadas.

DICA: Desligue o recurso que permite que você se veja na tela. Ninguém carrega um espelho para ficar se vendo durante uma reunião presencial, certo? A lógica é a mesma.

3 – Os chats das salas de reuniões são o equivalente virtual às conversas paralelas, tão comuns em volta das mesas das reuniões presenciais. Elas distraem e provocam a perda de foco. Tentar se manter atento à reunião e ainda participar do chat é praticamente impossível. A situação fica ainda pior se a conversa no chat não tem a ver com a reunião e acaba se tornando um bate papo entre colegas.

DICA: Use o chat com moderação. No começo da reunião virtual, abra espaço para todos falarem um pouco. O contato humano tem sido valioso neste momento. Falar de amenidades antes de irem ao tema principal pode fazer com que a reunião seja mais produtiva e tenha a atenção dos participantes.

4 – Da noite para o dia, passamos a nos preocupar com o local de trabalho dentro de casa. A maioria das pessoas não dispunha de um lugar pensado para passar horas a fio trabalhando. De repente, nos vimos todos “invadindo” e analisando as casas, prateleiras e estantes dos nossos colegas e parceiros de trabalho.

DICA: Você tem todo o direito de não querer expor a sua casa. Ela é o que temos de mais íntimo em um mundo que vive de expor intimidades nas redes sociais. Todos os programas e aplicativos de reunião dispõem do recurso do papel de parede. Escolha um fundo neutro e boa reunião!

5 – Trabalhando de casa é possível que mal você se levante da cama e já se flagre no computador ou no celular respondendo a e-mails e solicitações. Pesquisas apontam que o home office aumentou a jornada de trabalho em três horas por dia. As pequenas pausas e o tempo de deslocamento entre os compromissos profissionais foram preenchidos com mais trabalho e isso, definitivamente, não é bom para a saúde. Longos períodos sentados, beliscando lanches e com pouco exercício podem trazer uma série de prejuízos ao corpo e à qualidade de vida.

DICA: Não é porque estão em casa que os colaboradores estão 100% disponíveis para o trabalho. A maioria dos software permite agendar reuniões de 25 ou 50 minutos. Permita-se pequenas pausas. Imponha limites em nome do seu bem estar e da sua saúde. Não abra mão de praticas exercícios, se alimentar com qualidade e dormir bem.

Mantenha em dia suas avaliações médicas periódicas.

 

Gilberto Ururahy é médico há 40 anos, com longa atuação em Medicina Preventiva. É diretor da MedRio Check-up, líder brasileira em check-up médico. É detentor da Medalha da Academia Nacional de Medicina da França e autor de três livros: “Como se tornar um bom estressado” (Editora Salamandra), “O cérebro emocional” (Editora Rocco) e “Emoções e saúde” (Editora Rocco).

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