Muitas mulheres ainda não realizam a mamografia na idade recomendada, seja por falta de informação, tempo ou medo

Um grupo de mulheres em uma campanha prevenção do câncer de mama: um em cada três casos pode ser curado quando o diagnóstico é feito precocemente — Freepik/ Reprodução
O câncer de mama é o tipo de tumor mais comum entre as mulheres e um dos que mais mobilizam esforços globais. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados mais de 73 mil novos casos por ano no Brasil. Apesar da gravidade, há uma boa notícia: um em cada três pode ser curado quando o diagnóstico é feito precocemente. Essa estatística reforça a importância da informação, do rastreamento e das escolhas de vida na prevenção.
A ciência mostra que o câncer de mama não é determinado apenas por fatores genéticos. O World Cancer Research Fund aponta que até 30% dos casos poderiam ser evitados com hábitos saudáveis – alimentação equilibrada, controle de peso, prática de atividade física e moderação no consumo de álcool. O The Lancet Oncology associa obesidade e sobrepeso a 20% do risco de desenvolver o câncer após a menopausa. Já o National Cancer Institute indica que cada dose diária de álcool eleva esse risco em cerca de 7%.
A tecnologia também tem sido decisiva na detecção precoce. A mamografia digital é o padrão de rastreamento e permite identificar alterações milimétricas. Em mulheres com mamas densas, o ultrassom é um exame complementar essencial. Já a ressonância magnética é indicada para grupos de alto risco. O DENSE Trial, publicado no New England Journal of Medicine, mostrou que o uso da ressonância reduziu em até 50% os casos não detectados em exames de rotina.
Esses avanços só têm efeito real quando aliados à conscientização. Muitas mulheres ainda não realizam a mamografia na idade recomendada, seja por falta de informação, tempo ou medo. E essa lacuna custa vidas. O rastreamento regular é o divisor de águas entre o tratamento precoce e o diagnóstico tardio.
A mensagem é simples, mas essencial: a prevenção é investimento em si mesma. Fazer o exame certo, na hora certa, manter o peso adequado, praticar atividade física e evitar o excesso de álcool são atitudes que protegem o corpo e fortalecem a mente. A medicina preventiva não se resume a detectar doenças, mas a criar condições para que a saúde floresça antes que o problema apareça.
O Outubro Rosa lembra que o cuidado não deve ser sazonal. Informação, tecnologia e escolhas conscientes são as verdadeiras ferramentas de prevenção e podem transformar estatísticas em histórias de vida.
*Gilberto Ururahy é diretor médico e cofundador da Med-Rio Check-up.
*Este artigo foi publicado originalmente no Diário do Grande ABC.
