Para se beneficiar do exercício físico não é necessário fazer atividades de alto impacto

O exercício aeróbico, em especial, pode não apenas melhorar o humor, mas também dar aos indivíduos um maior senso de controle sobre suas vidas, o que leva à famosa sensação de bem-estar — Freepik/ Reprodução
Nos dias que correm, sempre contra o relógio, a vida pode se resumir a uma fila de compromissos e prazos de tirar o humor. A novidade é que a prática regular de exercícios físicos – além de todos os muitos benefícios já conhecidos – é capaz também de melhorar o humor dos indivíduos: uma meta-análise com 157 estudos relatou que a atividade física está associada ao aumento do humor positivo.
O exercício aeróbico, em especial, pode não apenas melhorar o humor, mas também dar aos indivíduos um maior senso de controle sobre suas vidas, o que leva à famosa sensação de bem-estar. O aeróbico também pode reduzir o mau humor e a ruminação (pensamentos negativos repetitivos). A maioria dos estudos se dedica aos exercícios aeróbicos porque são mais simples de serem conduzidos, o mesmo efeito pode ser também observado em estudos que monitoraram treinos de resistência.
Para se beneficiar dos efeitos do exercício físico – como o bom humor – não é necessário fazer atividades radicais de alto impacto: a quantidade de exercício importa menos do que apenas se mexer e fazer alguma atividade. Pesquisas mostram que até mesmo um pouco de movimento melhora nossa saúde física e aumenta a expectativa de vida – seja uma caminhada no parque, fazer tarefas domésticas ou participar de uma corrida de fim de ano.
O mesmo vale para beneficiar a saúde mental. A atividade física não precisa ser longa ou pesada para trazer benefícios ao humor, incluindo reduzir o risco de depressão. A atividade física também está associada a um menor risco de desenvolve-la. Adultos que atingiram as frequentes recomendações médicas – o equivalente a 150 minutos de caminhada rápida por semana – apresentaram 25% menos risco de depressão do que pessoas sedentárias. Mas até mesmo metade dessa quantidade (75 minutos) já é capaz de reduzir o risco de depressão em 18%.
As evidências científicas não param de aparecer. Segundo uma meta-análise de 2024, com 41 ensaios clínicos randomizados, o exercício também é eficaz para tratar depressão existente e sintomas depressivos. Outro estudo, de 2022 descobriu que o exercício pode ser tão eficaz quanto antidepressivos prescritos no tratamento da depressão leve a moderada.
Exercícios físicos, combinados com outros comportamentos saudáveis – como alimentação equilibrada, sono reparador, consumo moderado de gordura e distância do tabagismo – são vitais para se alcançar a longevidade com autonomia.
Saúde é prevenção!
Gilberto Ururahy é médico há mais de 40 anos, com longa atuação em Medicina Preventiva. Em 1990, inaugurou a Med-Rio Check-up, líder brasileira em check-up médico e medicina preventiva. É detentor da Medalha da Academia Nacional de Medicina da França, é membro honorário da Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação e coautor de livros: Como tornar-se um bom estressado (editora Salamandra), O cérebro emocional (Rocco), Emoções e saúde (Rocco) e Saúde é prevenção (Rocco, com o médico Galileu Assis). Ururahy é diretor da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Rio) e Chairman do Comitê de Saúde e diretor da Câmara de Comércio França-Brasil e Coordenador do Comitê de Saúde.
