Impacto da alimentação no risco de câncer, quantidade de carboidrato na dieta e perigo do excesso de proteína são alguns dos alertas

Cardápio rico, diverso, composto por frutas, leguminosas, grãos, carboidratos, proteínas e gorduras na quantidade adequada são um dos pilares para uma saúde longeva — Unsplash/Reprodução
O jornal The New York Times fez uma reportagem recente listando algumas tendências e constatações acerca de hábitos de uma alimentação saudável. É sabido que um cardápio rico, diverso, composto por frutas, leguminosas, grãos, carboidratos, proteínas e gorduras na quantidade adequada são um dos pilares para uma saúde longeva.
A publicação chegou a algumas considerações muito interessantes, que compartilhamos abaixo:
Frozen Yougurt não é exatamente um alimento saudável
Divulgado durante décadas como uma alternativa mais saudável ao sorvete, o iogurte congelado está voltando a ganhar popularidade. No entanto, especialistas em nutrição afirmam que sua fama de alimento saudável é, em grande parte, exagerada. Embora o iogurte congelado geralmente contenha menos gordura saturada do que o sorvete, ele pode ter uma quantidade maior de açúcares adicionados. Além disso, os supostos benefícios dos probióticos, frequentemente destacados em sua divulgação, ainda não foram bem comprovados por evidências científicas.
Alimentação influencia o risco de desenvolver câncer
Muitos fatores que influenciam o risco de câncer estão além do nosso controle. No entanto, seguir uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas de origem vegetal (como feijão e lentilhas) pode ajudar a reduzir esse risco, além de diminuir a probabilidade de desenvolver outras doenças, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
Cuidado com as dietas de baixo teor de carboidratos
Reduzir o consumo de carboidratos pode ajudar a atingir objetivos de curto prazo, como perder peso ou controlar os níveis de açúcar no sangue. No entanto, a longo prazo, evitar alimentos ricos em carboidratos, como muitas frutas, vegetais ricos em amido, leguminosas e grãos integrais, pode fazer com que você deixe de consumir outros nutrientes importantes, incluindo fibras.
A ciência por trás do jejum intermitente não é tão sólida quanto se imagina
Os defensores do jejum intermitente, que geralmente consiste em limitar a alimentação a determinados períodos do dia ou da semana, costumam afirmar que essa prática ajuda na perda de peso, melhora a saúde metabólica, a função cognitiva, a longevidade e outros aspectos da saúde. Embora muitas pessoas considerem esse plano alimentar mais fácil de seguir do que outras dietas, as evidências científicas sobre seus benefícios ainda são limitadas e pouco consistentes.
A aveia é uma potência nutricional.
Pode parecer um alimento simples e comum. Mas esse clássico do café da manhã faz muito bem ao coração e ao intestino — em grande parte graças ao beta-glucano, um tipo de fibra que alimenta as bactérias benéficas do cólon e ajuda a reduzir o colesterol LDL (o chamado “colesterol ruim”) no sangue. A aveia também ajuda a manter os níveis de açúcar no sangue mais estáveis, especialmente em pessoas com diabetes tipo 2.
Existem casos de excesso de proteína
A proteína é o macronutriente do momento, mas consumir proteína em excesso pode trazer algumas desvantagens, segundo os especialistas. Por exemplo, obter a maior parte da proteína por meio de carnes vermelhas ou carnes processadas pode aumentar o risco de doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. Além disso, se você deixar de consumir alimentos ricos em fibras, como vegetais e grãos integrais, poderá sofrer consequências para a saúde digestiva.
Importância de consumir mais fibras
A maioria dos americanos não consome fibras suficientes, afirma o jornal americano. A boa notícia é que é possível aumentar a ingestão de fibras com pequenas — e saborosas — mudanças na alimentação. Três xícaras de pipoca contêm quase 4 gramas de fibras. Além disso, guacamole, feijão e homus também são ricos em fibras, o que os torna ótimas opções para um lanche saudável.
Os riscos do álcool começam com apenas uma dose por dia
Um estudo recente constatou que os americanos que consumiam uma dose de bebida alcoólica por dia tinham maior probabilidade de morrer por doenças relacionadas ao álcool do que aqueles que não bebiam. Por exemplo, as mulheres que consumiam essa quantidade apresentavam um risco maior de morrer por câncer de fígado ou câncer de mama. Além disso, tanto homens quanto mulheres tinham um risco aumentado de morrer por cirrose hepática e por câncer de boca e de esôfago. O estudo também mostrou que, quanto maior o consumo de álcool, maior era o risco.
A importância de comer ervilhas
Essas pequenas leguminosas são verdadeiras fontes de nutrientes. Embora não ofereçam a mesma quantidade de proteína por porção que o feijão ou as lentilhas, elas ainda estão entre as melhores opções de proteína para quem segue uma alimentação vegetariana. Uma xícara de ervilhas frescas contém aproximadamente a mesma quantidade de proteína que uma porção de 85 gramas de tofu.
Saúde é prevenção!
Gilberto Ururahy é médico há mais de 40 anos, com longa atuação em Medicina Preventiva. Em 1990, inaugurou a Med-Rio Check-up, líder brasileira em check-up médico e medicina preventiva. É detentor da Medalha da Academia Nacional de Medicina da França, é membro honorário da Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação e coautor de livros: Como tornar-se um bom estressado (editora Salamandra), O cérebro emocional (Rocco), Emoções e saúde (Rocco) e Saúde é prevenção (Rocco, com o médico Galileu Assis). Ururahy é diretor da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Rio) e Chairman do Comitê de Saúde e diretor da Câmara de Comércio França-Brasil e Coordenador do Comitê de Saúde.
