A pandemia ampliou a conscientização sobre a importância da prevenção, especialmente com check-ups regulares e adoção de hábitos saudáveis

Exercícios físicos são poderosos aliados na prevenção de doenças e na qualidade de vida — Unsplash/Reprodução
A pandemia de COVID-19 completou há pouco seis anos e representou um dos maiores desafios sanitários da história contemporânea. Além dos impactos diretos causados pelo vírus, a crise evidenciou fragilidades dos sistemas de saúde em diversos países e reforçou a importância da prevenção como estratégia fundamental para a promoção do bem-estar coletivo. No cenário pós-pandemia, observa-se uma crescente valorização das ações preventivas, tanto por governos quanto por instituições de saúde e pela própria população.
Antes da pandemia, muitos sistemas de saúde concentravam grande parte de seus recursos no tratamento de doenças já instaladas. Entretanto, a disseminação global da COVID-19 demonstrou que a prevenção é capaz de reduzir significativamente a sobrecarga hospitalar, os custos assistenciais e a mortalidade. Como resultado, diversos países passaram a investir mais em vigilância epidemiológica, vacinação, monitoramento de fatores de risco e programas de promoção da saúde. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que o fortalecimento das medidas preventivas tornou-se uma prioridade estratégica para a construção de sistemas de saúde mais resilientes.
Uma das mudanças mais evidentes ocorreu na percepção da população sobre os cuidados preventivos. A pandemia ampliou a conscientização sobre a importância da vacinação, da higiene, do acompanhamento médico regular através de check-ups e da adoção de hábitos saudáveis, como alimentação regrada, prática de exercícios físicos e noite de sono reparadoras.
Pesquisas internacionais indicam que houve aumento da procura por exames de rotina, programas de imunização e informações relacionadas à saúde preventiva. Além disso, a população passou a reconhecer com maior clareza o perigo que significam as doenças crônicas, como obesidade, diabetes e hipertensão.
Outro fator que impulsiona o crescimento da prevenção é o avanço das tecnologias digitais. Ferramentas como telemedicina, aplicativos de monitoramento e plataformas de inteligência artificial passaram a desempenhar papel importante na identificação precoce de riscos à saúde, aliados à interpretação de dados de profissionais habilitados para tal função.
O fortalecimento da prevenção também está relacionado ao aumento das doenças crônicas não transmissíveis. Atualmente, enfermidades como doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias são responsáveis por aproximadamente 74% das mortes globais. Diante desse cenário, governos e organizações internacionais têm defendido políticas voltadas para a redução dos fatores de risco, incluindo combate ao tabagismo, incentivo à atividade física, melhoria da alimentação e redução do consumo abusivo de álcool.
Do ponto de vista econômico, a prevenção tem sido vista como um investimento de alto retorno. Estudos da OMS apontam que programas preventivos voltados ao controle das doenças crônicas podem gerar benefícios econômicos expressivos, reduzindo gastos hospitalares e aumentando a produtividade da população. Análises recentes indicam que cada dólar investido em políticas eficazes de prevenção pode gerar múltiplos retornos econômicos por meio da redução da mortalidade prematura e da incapacidade laboral.
Nesse contexto, a prevenção em saúde deixou de ser vista apenas como uma medida complementar e passou a ocupar posição central nas estratégias globais de saúde pública. O mundo pós-pandemia revelou que prevenir doenças é mais eficiente, menos custoso e socialmente mais sustentável do que tratar suas consequências. A combinação entre inovação tecnológica, conscientização da população e fortalecimento das políticas públicas aponta para um futuro em que a promoção da saúde e a prevenção de doenças terão papel cada vez mais relevante.
Saúde é prevenção!
Gilberto Ururahy é médico há mais de 40 anos, com longa atuação em Medicina Preventiva. Em 1990, inaugurou a Med-Rio Check-up, líder brasileira em check-up médico e medicina preventiva. É detentor da Medalha da Academia Nacional de Medicina da França, é membro honorário da Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação e coautor de livros: Como tornar-se um bom estressado (editora Salamandra), O cérebro emocional (Rocco), Emoções e saúde (Rocco) e Saúde é prevenção (Rocco, com o médico Galileu Assis). Ururahy é diretor da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Rio) e Chairman do Comitê de Saúde e diretor da Câmara de Comércio França-Brasil e Coordenador do Comitê de Saúde.
